quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O cônego - por Heitor

 “Vem do Líbano, esposa minha, vem do Líbano, vem...
As mandrágoras deram o seu cheiro.
Temos às nossas portas toda casta de pombos...”



A lua, em sua mais bela exibição, tinha sua luz refletida nas ondas do mar selvagem e excitante. Em um mausoléu afastado encontrava-se Heitor, recostado em sua janela espaçosa. Seus olhos, tão azuis quanto o reflexo da lua, completamente detidos em sua leitura: O cônego ou metafísica do estilo, de Machado de Assis. Suas mãos apertavam firmemente o papel, sua imaginação voava. A cada nova palavra, uma nova descoberta. Lia e relia... Sua concentração era tão intensa, que, por vezes, conseguia ouvir suas engrenagens cerebrais trabalharem em interpretações diversas. Divagava entre as palavras à sua frente e as diversas outras leituras que antecederam a mesma. Por um momento chegara a imaginar o que viria a seguir, mas logo voltava à atenção ao texto presente.

Parou, releu, raciocinou. Sua mente já trabalhava a frente, ou atrás, fazendo associações. Pelo canto de seus lábios róseos começou a surgir um sorriso. Lembrava--se vagamente de outro texto que lera pouco tempo atrás: “teorias e alegorias da interpretação no Theatrum de Michel Focault”, por Khalil. As sombras que cercavam sua imagem solitária pareciam modelar-se na escuridão, formando uma citação do texto lido: “O princípio da interpretação nada mais é do que o intérprete.” Através de sua janela o menino observou as copas das árvores bailarem formando uma nova citação. Dessa vez, de Paulo Freire: “Ler é reescrever o que estamos lendo. É descobrir a conexão entre o texto e o contexto do texto.”

Tomado pela surpresa, Heitor deu-se conta que era exatamente isso que fazia naquele exato momento. Por um instante, sua mente desprendeu-se das palavras de Machado, passando a divagar sobre as interpretações. Ora, se lhe era permitido associar o conto machadiano a teses interpretativas, não seria isso uma confirmação das teses interpretativas? Sim, seria! Mas, sem mais delongas, a atenção do nosso personagem voltou-se para a leitura decorrente. O sorriso voltou a brilhar em seus lábios ao reler sobre a tese criada por Machado. Em sua mente surgiam desenhos de um cérebro repartindo-se em diferentes pólos. As palavras penetravam sua mente e logo seu próprio cérebro começava a trabalhar, criando imagens de palavras que se entrelaçavam, casavam e até mesmo tinham filhos.

Mas, vamos com calma, (antes que o nosso personagem volte do mundo da lua), ou, seria do mundo das procriações? Explicar-lhe-ei a tese machadiana do “idílio-psíquico”. Os substantivos nascem do hemisfério direito do nosso cérebro, enquanto os adjetivos nascem do hemisfério esquerdo. Isso acontece devido ao fato das palavras serem divididas por sexo. Isso mesmo, por sexo! Mas por favor, caro leitor, não comece a imaginá-los tendo filhos. No entanto, vale ressaltar que sim! Elas amam umas as outras e encontram-se formando um casal.

Passada as devidas explicações, voltemos para o pequeno de olhos brilhantes que já avançava em suas leituras, iniciando um novo tour de divagações. Voltado para a lua, Heitor, passou a estudar insistentemente as formas de seus reflexos nas ondas desejosas. Embora, seu corpo estivesse voltado para tal cena, sua mente preocupava-se em analisar mais profundamente as palavras que já começavam a ser absorvidas.  - confesso que não.  - a sutileza machadiana pegara o menino de surpresa, e quando vira já estava falando com o texto. Pronto!!! A relação entre narrador e leitor estava estabelecida. Mas Heitor não estava satisfeito. Ele Queria saber mais, queria entender como era possível o texto comunicar-se com seu leitor. A resposta emaranhou-se por suas veias cerebrais e, mais uma vez, as sombras pareceram tomar formas, fazendo associar aquele momento com o texto de Khalil: “O discurso veicula e produz o poder; reforça-o, mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo”. Ora, se o discurso está relacionado ao poder, obviamente seus autores geram formas de manipulá-lo, visto que a interpretação depende inteiramente de seu intérprete. Tendo isso em mente, poderíamos dizer que ao produzir um texto, o autor delimita um determinado número de interpretações possíveis.

Ainda atordoado pela quantidade de informações despejadas em sua mente, Heitor titubeou, pensou em desistir. Mas sua curiosidade já havia sido aguçada e agora só lhe restava concentrar-se e concluir a leitura. Logo, a mente do menino voltava a divagar e uma nova cena ganhava espaço em sua imaginação. De um lado, um substantivo ganhava braços, pernas e é claro, boca. Do outro, um adjetivo ganhava os mesmos atributos, porém com algo a mais: um vestido. O substantivo já não era substantivo e sim Silvio. O adjetivo, por outro lado, virou Silvia. E assim, ambos, Silvio e Silvia, bailavam a procura um do outro. O barulho os atormentava, tornando sua comunicação quase impossível. De repente. O silêncio. Silvio avistou Silvia, e, esta, correu em sua direção. Juntos, bailaram através dos olhos de Heitor, que já começava a balançar a cabeça, agitando seus fios avermelhados, tamanha a confusão.

E o cônego? Perguntava-se Heitor ao final da leitura mirando seu título curiosamente. Repassou, mentalmente, todos os momentos do conto. O cônego estava escrevendo, foi interrompido para fazer um discurso e... Silvio e Silvia dominaram a cena. Como se uma luz se acendesse em sua mente ele percebeu o que agora lhe parecia óbvio. O cônego não passava de uma artimanha utilizada por machado para que pudesse lançar as bases de sua nova psicologia. Mas vamos com calma! Se Machado utilizou-se de um escritor enquanto este escrevia, para falar do processo de escrita, isso não seria metalinguagem? Obviamente, meu caro leitor. Eis a magia do texto machadiano. 

sábado, 5 de março de 2011

Anotações de uma mente perturbada...




Hoje eu preciso dizer o que sinto, por que meu peito explode em reclames gritando aquilo que minha voz precisa calar. Alguém me disse que o perigo, ou melhor, o proibido, é mais prazeroso, talvez essa pessoa tivesse certa. No entanto, em minha opinião, o amor não pode, nem deve, ser proibido, porque não existe formas de calar o coração, não tem como negar aquilo que o corpo demonstra em cada gesto, ainda que inconsciente. Hoje eu preciso calar a razão pertinente a minha alma, hoje eu preciso declarar meu amor, hoje eu preciso esquecer o mundo. Imersa nas águas turbulentas do mar sinto o silêncio marítimo invadir meus tímpanos fechando-me no mundo da minha mente. Paz, tranqüilidade, idéias, músicas, poemas, tudo tem seu espaço torturante nas vielas de conhecimento atordoado de meu cérebro... Fragmentos de uma realidade perturbada e inconstante... As ondas vão e vem batendo na rocha bruta, gélida, consistente, invariável... Pensamentos, sonhos, ideais, paixões, desejos... É tudo relativo, inconstante, variável, ao contrário da bruta rocha com a qual batem de frente... Um ciclo vicioso ironicamente estável no meio do caos de tudo isso. 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O preconceito nosso de TODOS os dias...


Engraçado como algumas pessoas batem no peito pra dizer que são desprovidas de preconceitos, sempre que alguém me diz isso eu fico me perguntando em que mundo essa pessoa vive, porque simplesmente não pode ser no mesmo que eu.
O problema, em minha opinião, é a pré associação da palavra preconceito com algo negativo e estereotipado, o que acaba gerando um pré-conceito com a própria palavra, se você diz que é preconceituoso, logo aparece um grupo de pseudos intelectuais a lhe julgar, colocando-o em uma cruz, pronto pra ser crucificado, quando na verdade se está demonstrando uma opinião, afinal, apesar de tudo vivemos em um país livre.
O preconceito nasceu, e cresceu com a humanidade, mais que isso ele foi um dos fatores que levaram ao seu crescimento, um exemplo simples, em Esparta, Antiga Grécia, os bebes ao nascer eram analisados friamente, e caso houvesse qualquer indicio de falhas em sua constituição, que hoje são conhecidas como doenças, ele era descartado antes mesmo de ter uma oportunidade de crescer, muitos podem pensar, nossa que coisa mais deplorável, e eu lhe pergunto, será mesmo? Esparta era uma cidade completamente voltada para a guerra, onde simplesmente todos os seus habitantes eram treinados severamente para isso, e dentro dessas condições um cidadão “defeituoso” simplesmente não era válido para os propósitos do todo, no caso da cidade, logo eram descartados, hoje isso parece deplorável, mas na época era uma questão de sobrevivência, afinal se não tivessem os melhores soldados, como derrotariam seus inimigos?
Felizmente nós evoluímos e passamos dessa fase de vivermos pra guerra, apesar de em minha opinião ainda vivermos em uma guerra constante, mas isso é assunto pra outro post, mas o preconceito não é algo exclusivo, pelo contrário é extremamente mutável, por exemplo, quando se ver um menino maltrapilho, com aparência de drogado, qual sua primeira reação? Atravessar a calçada, ou tentar entrar em algum lugar pra esperar que ele passe, e depois seguir o nosso caminho, isso é preconceito sim, mas é um preconceito movido pelo nosso sentido de auto preservação, porque nos foi passado, através da televisão, rádio, parentes, amigos etc, que todo lugar é perigoso, e que pessoas com esse perfil tendem a ser criminosos, significa que todo maltrapilho é ladrão? Ou que todo drogado é ladrão? Obvio que não, mas você também não vai parar pra perguntar ao individuo se ele é ou não criminoso, logo é uma questão de sobrevivência ser preconceituoso.
Observe que em ambos os exemplos que citei o motivo pelo preconceito foi exatamente o mesmo, ainda que existam séculos de diferença entre os casos, é claro que existem preconceitos de diferentes formas e realidades, outro exemplo é o preconceito contra os negros, que já foi tão amplamente discutido algumas décadas atrás, dito como incoerente e desumano, agora pensemos em alguns séculos antes, o homem europeu chega à África e encontra toda uma população de pessoas forte e determinadas, com uma cultura própria, e dispostas a lutar por isso, qual a solução? Escravizar e descriminar essas pessoas, para que acuadas, se tornem domináveis e submissas aos seus caprichos, e com isso não apresentasse maiores “perigos” para a cultura e crescimento Europeu. Não estou querendo dizer que a atitude dos colonizadores foi certa, mas ela foi necessária, pelo menos para a cultura européia.
O que quero mostrar é que o preconceito é só uma questão de perspectiva, e principalmente de necessidade, é através dele que se mostra as necessidades e temores de uma sociedade, logo se torna uma parte importante dos aspectos culturais que envolvem uma determinada época, mas como disse antes é algo mutável, logo reversível, mas assim como todos os outros aspectos culturais de uma sociedade, ele depende da mesma para mudar, essa mudança não é algo imediato, e uniforme, veja só o exemplo dos negros, até hoje ainda existem lugares onde o preconceito contra os negros se faz presente, mas ele está sendo instinto, isso se deu muito pela luta deles para que isso acontecesse, afinal para os “brancos” a situação era extremamente favorável, logo para que um determinado preconceito seja instinto é necessária a luta dos desfavorecidos pelo mesmo, luta essa que consiste na mudança de mentalidade daqueles que o cercam, e isso, como já dito, não acontece da noite pro dia, não é uma ação, é o conjunto delas.
O preconceito existe, e se faz necessário para o nosso crescimento, só cabe a você julgar quais conceitos lhe são aplicáveis, e quais aqueles que devem ser revistos, e impostos ao seu meio, talvez você não mude o mundo, mas a cada pessoa que você conseguir mostrá-lo já será uma a mais para a sua luta.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Das coisas mais simples...


Quantas vezes você não precisou conversar com amigos e se utilizou de meios cibernéticos para fazê-lo? Eu particularmente já perdi as contas de quantas vezes já fiz isso, é mais praticamente, e certamente mais econômico que ir até a casa da pessoa, mas às vezes eu me pego me perguntando até que ponto isso é tão vantajoso assim, é obvio que a internet é um elemento diminuidor de distancias, mas ao mesmo passo que ela diminui será que ela não aumenta distancias?
Quando se está na internet, a China pode estar a um clique de distancia, mas ao mesmo tempo em que ela diminui distancias geográficas, pode aumentar, até mesmo tornar intransponíveis, as distancias sentimentais... Como assim? Um exemplo simples e corriqueiro: Passamos o dia trabalhando, ou estudando, chegamos em casa cansados, esgotados física e sentimentalmente, ansiando por um pouco de paz e tranqüilidade, querendo jogar um pouco de conversa fora, quem sabe tomar uma cerveja e depois ir dormir relaxado e feliz... E o que você faz para atingir seus objetivos? Liga pra o namorado (a), ou um amigo, ou, o que é mais provável, entra na internet e conversa com o namorado (a), ou amigo, depois disso vai dormir descansado e talvez a até mesmo feliz... Alguns anos atrás, você chegaria do trabalho e talvez fosse para casa do vizinho conversar, tomar uma cerveja, dançar, e depois disso ir dormir.
Outro exemplo simples: É quando algum professor da faculdade passa um trabalho em grupo, e a primeira coisa que se pensa é dividir os tópicos do trabalho entre os membros do grupo, cada um fazer a sua parte e enviar por e-mail para os outros, o que é obviamente bem mais simples e prático, isso sem contar que economiza toda uma tarde que seria perdida pra fazer o trabalho na casa de alguém, no entanto ao mesmo tempo em que se “economiza” uma tarde, se perde toda uma tarde de lembranças de emoções e experiências únicas.
O que estou querendo dizer com esse texto não é que paremos de usar a internet e voltemos à era da pedra, até porque isso seria uma super hipocrisia vindo de alguém, como eu, que passa boa parte do dia em frente a um computador, apenas gostaria de relembrar o valor das coisas simples, que sem duvidas em muito momentos são muito mais prazerosas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um pouco de tudo



Hoje estava pensando, e antes que alguém faça aquela velha piadinha de nossa você pensa? Sim, eu penso, é uma coisa meio rara sabem, meus neurônios tiram férias sem aviso prévio e data para retorno, mas o que interessa no texto de hoje é que eu pensei, e bastante, sobre a historia da música, mais uma vez eu sei o que vocês tão pensando, nossa Rach dessa vez você se superou, que coisa mais idiota sobre a qual escrever... Você acha mesmo? Bom eu tenho certeza como acham, afinal se não achassem estariam lendo um blog musical, e não o meu... Mas, enfim, voltando ao que interessa, eu estava pensando sobre a historia da musica e na forma como ela veio parar aqui, mas aqui onde meu deus do céu? Aqui ué, aqui nessa bosta que a gente ver tocar nas rádios de hoje em dia.

De Aviões do forró a Cine, sinceramente? Para mim é tudo o mesmo lixo, músicas fruto de uma sociedade decadente e sem cultura... Nossa também não é assim né? É assim sim, os retardados que tocam nessas bandinhas de pseudo rock não são os culpados disso, apesar disso não retirar a parcela de idiotice deles, ou de seus fãs mais retardados ainda, sabe o porquê disso? A música, assim como a literatura, a forma das pessoas se vestir, o que comem etc são o reflexo da sociedade e suas crenças... E sinceramente, se você não sente vergonha de ter sua cultura representada por isso (Aviões do forró, Cine, Restart etc) eu tenho pena de você, porque já é um caso típico de pessoa consumida pela ignorância a qual somos submetidos a cada dia.
Vamos voltar alguns anos atrás, um pequeno passeio pela historia do Brasil, estoura a ditadura militar, e o que acontece? A sociedade se revolta, não toda ela, claro, mas grande parte dela... Os jovens vão às ruas... Morrem... São torturados... Tudo pelo que? Por um ideal, tudo por acreditar em um futuro melhor, e eles lutaram, muitos com suas próprias vidas, para que suas vidas no futuro, assim como a de seus filhos fosse melhor, fosse LIVRE... E em 1985, finalmente, a ditadura militar tem seu fim, todos os jovens rebeldes, aqueles que ainda estavam vivos, relaxaram, confiaram que seu trabalho estava feito, e acreditaram que o futuro seria melhor... Dez anos depois, nada mudou, e as coisas só fazem piorar, os governantes cada vez piores, que só fazem roubar, e com isso aqueles jovens guerreiros, cheios de esperança, se vêem desiludidos, sem esperança, sem chão, sem nada no que acreditar.
Esses jovens que agora são pais, professores, médicos, advogados, artistas, ou seja, os construtores das verdades dos novos jovens, e toda a frustração, a descrença, a vergonha, foi passada pra essa geração de jovens, jovens desiludidos e sem fé, completamente manipuláveis. Agora vamos juntar esse jovens, que nada querem saber sobre política, economia, ou qualquer outra coisa ligada ao governo, aos próprios governantes, estes que já começavam a se ver sem solução, já que a ditadura não conseguiu atingir seu objetivo de manipular a população, e é nesse momento que surge uma luz, a solução de todos os seus problemas: Manipular os jovens, para isso eles armaram todo um esquema minuciosamente preparado para desviar toda a atenção da população do governo, e o que quer que ele esteja fazendo, como?

Simples, primeiramente eles pararam de investir na educação, claro, afinal de contas quem tem conhecimento tem poder, e poder é algo perigoso, eles tiveram a exata noção disso quando tiveram a ditadura posta abaixo por jovens estudantes, músicos, poetas e escritores, ou seja a base cultural de uma sociedade, o reflexo de seus desejos, segundo passaram a dar muito mais valor a jogadores de futebol, pagodeiros, artistas de TV, e qualquer outra classe que não precise ter um mínimo de conhecimento para exercer sua função, e ainda ser uma figura conhecida e respeitada por todos, e claro não esquecemos o principal, abrir as portas para todo o consumismo americano invadir o país como uma febre de moda e tecnologia que simplesmente obriga as pessoas a comprarem tudo que vêem pela frente, ainda que não precisem.

Agora voltemos a pensar em como chegamos onde estamos, simples, aqueles jovens, antes desestimulados, e facilmente manipuláveis, agora se tornaram seres consumistas, que só pensam em como conseguir dinheiro para comprar uma roupa de marca, ou um computador top de linha, ou o novo vídeo game do mercado, pessoas egoístas e tão distraídas em seu mundinho de necessidades limitadas que simplesmente não se dão conta do que acontece ao seu redor, exatamente o tipo de pessoa que os governantes desejam pra manter o país nessa merda que está e ainda fazer a economia crescer... Mas perae Rach, o que isso tem haver com as bandinhas de hoje em dia? TEM ABSOLUTAMENTE TUDO HAVER... Porque como disse no inicio do texto, a música é reflexo do comportamento da sociedade, e que tipo de música você podia esperar de uma sociedade consumista e egoísta?
O hoje pode estar perdido, e confuso, mas o amanhã é construído a cada segundo que passa, e depende de nós, jovens, fazê-lo valer à pena... E é nessa hora que eu lhe pergunto, você tem algum objetivo pelo o qual valeria a pena morrer? 







sábado, 28 de agosto de 2010

Memórias, não são só memórias...





“Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu...
Memórias, não são só memórias
São fantasmas que me sopram aos ouvidos
Coisas que eu nem quero saber

                                     Pitty- Memórias


 Hoje não to aqui pra falar de algo que gosto, ou engraçado, estou aqui pra desabafar... Uma coisa particular e pessoal. Alguma vez você já teve uma lembrança tão forte, ou tão intensa, que chega a doer só de pensar? Eu já... E como dói, quando se perde alguém amado a dor é quase insuportável, mas você ainda tem as lembranças, e quando elas doem mais do que a própria dor da perda? Ou ainda pior, não se tem lembranças? Às vezes a dor toma conta, e parece ter a capacidade de arrancar de mim todo e qualquer vestígio de felicidade, uma única lembrança, um único “fantasma” que faz com que todas as lembranças felizes sumam, me desarma, me deixa no chão... Às vezes eu associo essa lembrança, aos dementadores de Harry Potter, que são capazes de sugar toda a felicidade ao seu redor, nos livros Harry se concentra em uma lembrança feliz e pronto, mas e quando a dor é tão forte que essa tal lembrança feliz simplesmente se torna inexistente?
Eu não to aqui pra escrever um texto de auto-ajuda também, até porque se tivesse respostas pra essas perguntas, eu não estaria aqui escrevendo por ta mal... Mas de certa forma eu posso dizer que achei uma solução, já que eu estou aqui escrevendo justamente pra me sentir melhor, por outro lado eu não to enfrentando o problema, como muitos de vocês diriam pra fazê-lo, e até eu mesmo gostaria de fazer, mas a dor é grande demais... É a dor de anos, mas ao mesmo tempo de um único dia, uma única coisa que nunca foi superada, e pelo visto assim vai continuar por um bom tempo.


sexta-feira, 23 de julho de 2010

LUTO




Para tudo tem uma primeira vez, certo? Quero dizer ninguém nasce sabendo de tudo, ainda bem, penso eu, porque se não existissem as primeiras vezes não teríamos que passar pela ansiedade e até mesmo a vergonha de nunca termos feito algo, mas também não teríamos a felicidade o êxtase de realizá-la, em nosso tempo, no momento certo, aquilo que será para sempre lembrado, seja algo bom ou ruim... Hoje eu vim postar sobre uma primeira vez, que pra mim pelo menos, foi não só marcante, como decisiva, não seus tarados não foi à primeira vez que fiz sexo, pls... Agora falando sério, falarei hoje do primeiro livro que li por vontade própria, diferente daqueles livrinhos que somos obrigados a ler na escola eu comecei a ler Harry Potter porque eu quis, a historia me prendeu a atenção, e sim isso foi especial e decisivo pra mim, porque pela primeira vez pude apreciar o gosto da leitura, a delicia de se viajar por outros mundos, ainda que esteja parada em casa... Nesse mesmo livro, o primeiro, que eu recebi de presente da minha irmã, ela escreveu que através da leitura se conhece lugares inimagináveis, eu não levei a sério, na época, mas hoje eu vejo o quão verdadeira foram suas palavras... E desde momento em que comecei a ler nunca mais quis ou sequer conseguiria parar, através desse livro simples, e por muitos considerado infantil, eu descobri minha verdadeira paixão: leitura e escrita.


Mas voltando a Harry Potter, depois o primeiro livro, veio o segundo, e depois deste o terceiro e todos os outros que se seguiram a eles até chegar o sétimo, durante esse tempo eu sorri, viajei, chorei, me emocionei, me apaixonei, me encantei, fiz amigos, perdi horas discutindo possíveis finais, perdi o sono tentando desvendar os tantos mistérios presentes na historia... Vi no decorrer dos livros o menino, se tornar adolescente e depois homem, e assim como ele, eu mesma fui crescendo, na medida em que Harry tinha suas experiências, eu mesma tinha as minhas, muitas vezes tão parecidas, outras tão distantes, mas sempre ali, durante esses nove anos me acostumei a ter tantas das minhas emoções descritas no mundo mágico de Harry Potter... A série é longa e juntando isso ao intervalo de tempo que levava para os livros serem lançados, nunca consegui imaginar o dia em que a série acabaria... Mas o fim chegou, o sétimo livro foi lançado e com ele a saga do menino que sobreviveu terminou, e isso doeu, lendo o sétimo livro eu chorei, sorri e me emocionei, pela ultima vez com o ineditismo das historias do bruxinho... Mas perae ainda tinham os filmes...



Lembro quando o primeiro filme foi lançado, a ansiedade, a curiosidade pra saber quem seriam os atores, como seria o castelo de Hogwarts, como ficaria cada pequeno detalhe, antes presente apenas na imaginação, agora ali na minha frente, parecendo tão real... Todos os dias eu ia até a banca de revistas pra ver se tinha chegado a Veja do mês, que sempre tinha uma edição especial inteiramente dedicada à série... Mas perae a revista? Sim a revista porque nessa época a maioria das pessoas nem tinha internet, e as que tinham, em geral, era aquela internet discada, lembram? Aquela que se levava horas para conectar, e ainda mais para carregar a página? Pois é, nessa época tinha que se esperar para saber como as coisas seriam... Mas como tudo mais Harry Potter cresceu e a internet se tornou o que é hoje, e já não se tinha mais edições especiais na Veja e sim sites inteiros dedicados a saga, todos os fãs vibraram com isso, e na mesma medida que esses sites revelavam, e até hoje revelam, cada vez mais coisas sobre o bruxinho, também trás cada vez mais duvidas e questionamentos sobre esse universo, tão vasto, criado por J.K. Rowling... E hoje, depois de tanto tempo, me dei conta que como tudo mais a saga tem um fim, e esse fim que praticamente não foi notado quando terminei de ler o sétimo livro, já que ainda existiam tantos mistérios, tantas coisas que ainda gostaria de saber sobre o bruxinho, e ainda tinham os filmes para serem lançados, que não me dei conta que o fim se aproximava... Harry cresceu comigo, e por tantas vezes suas emoções foram as minhas, e eu senti as suas, que simplesmente é difícil imaginar a vida sem isso, sem toda a ansiedade pré-estréia, sem todos os xingamentos direcionados ao diretor que não conseguiu captar tudo que gostaria que estivesse na telona... E daqui a alguns meses, será lançado o sétimo filme, que será dividido em duas partes, a segunda parte será lançada alguns meses depois... E depois disso acabará toda a angustia a ansiedade, a espera por algo referente a Harry Potter... Pensar nisso deixa qualquer um que tenha acompanhado a saga triste, mas no meu caso é mais que isso, é como se tivessem arrancando uma parte de mim, como se tivessem acabando com parte dos meus sentimentos, e ainda que o filme ainda não tenha sido lançado eu já sinto um vazio imenso, onde antes apenas existia a felicidade, a tranqüilidade daquele velho amigo, que sempre está ali, em todas as alegrias e tristezas, faça chuva ou faça sol, aquele que segura sua mão nas noites chuvosas e de trovoadas... E é por tudo isso que gostaria de deixar aqui registrado o meu LUTO pelo fim da saga Harry Potter... Pelo fim de uma fase da minha vida... Pelo fim de uma parte de mim, que sempre se fará presente, agora de forma mais sutil... Pelo fim de todas as horas de discussões sem fim sobre o destino da saga... Pelo fim de todas as emoções e sentimentos que dividi com ela... Enfim... Pelo fim de uma primeira vez, que foi não apenas especial, como decisiva e única. Vale a pena ver