quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O preconceito nosso de TODOS os dias...


Engraçado como algumas pessoas batem no peito pra dizer que são desprovidas de preconceitos, sempre que alguém me diz isso eu fico me perguntando em que mundo essa pessoa vive, porque simplesmente não pode ser no mesmo que eu.
O problema, em minha opinião, é a pré associação da palavra preconceito com algo negativo e estereotipado, o que acaba gerando um pré-conceito com a própria palavra, se você diz que é preconceituoso, logo aparece um grupo de pseudos intelectuais a lhe julgar, colocando-o em uma cruz, pronto pra ser crucificado, quando na verdade se está demonstrando uma opinião, afinal, apesar de tudo vivemos em um país livre.
O preconceito nasceu, e cresceu com a humanidade, mais que isso ele foi um dos fatores que levaram ao seu crescimento, um exemplo simples, em Esparta, Antiga Grécia, os bebes ao nascer eram analisados friamente, e caso houvesse qualquer indicio de falhas em sua constituição, que hoje são conhecidas como doenças, ele era descartado antes mesmo de ter uma oportunidade de crescer, muitos podem pensar, nossa que coisa mais deplorável, e eu lhe pergunto, será mesmo? Esparta era uma cidade completamente voltada para a guerra, onde simplesmente todos os seus habitantes eram treinados severamente para isso, e dentro dessas condições um cidadão “defeituoso” simplesmente não era válido para os propósitos do todo, no caso da cidade, logo eram descartados, hoje isso parece deplorável, mas na época era uma questão de sobrevivência, afinal se não tivessem os melhores soldados, como derrotariam seus inimigos?
Felizmente nós evoluímos e passamos dessa fase de vivermos pra guerra, apesar de em minha opinião ainda vivermos em uma guerra constante, mas isso é assunto pra outro post, mas o preconceito não é algo exclusivo, pelo contrário é extremamente mutável, por exemplo, quando se ver um menino maltrapilho, com aparência de drogado, qual sua primeira reação? Atravessar a calçada, ou tentar entrar em algum lugar pra esperar que ele passe, e depois seguir o nosso caminho, isso é preconceito sim, mas é um preconceito movido pelo nosso sentido de auto preservação, porque nos foi passado, através da televisão, rádio, parentes, amigos etc, que todo lugar é perigoso, e que pessoas com esse perfil tendem a ser criminosos, significa que todo maltrapilho é ladrão? Ou que todo drogado é ladrão? Obvio que não, mas você também não vai parar pra perguntar ao individuo se ele é ou não criminoso, logo é uma questão de sobrevivência ser preconceituoso.
Observe que em ambos os exemplos que citei o motivo pelo preconceito foi exatamente o mesmo, ainda que existam séculos de diferença entre os casos, é claro que existem preconceitos de diferentes formas e realidades, outro exemplo é o preconceito contra os negros, que já foi tão amplamente discutido algumas décadas atrás, dito como incoerente e desumano, agora pensemos em alguns séculos antes, o homem europeu chega à África e encontra toda uma população de pessoas forte e determinadas, com uma cultura própria, e dispostas a lutar por isso, qual a solução? Escravizar e descriminar essas pessoas, para que acuadas, se tornem domináveis e submissas aos seus caprichos, e com isso não apresentasse maiores “perigos” para a cultura e crescimento Europeu. Não estou querendo dizer que a atitude dos colonizadores foi certa, mas ela foi necessária, pelo menos para a cultura européia.
O que quero mostrar é que o preconceito é só uma questão de perspectiva, e principalmente de necessidade, é através dele que se mostra as necessidades e temores de uma sociedade, logo se torna uma parte importante dos aspectos culturais que envolvem uma determinada época, mas como disse antes é algo mutável, logo reversível, mas assim como todos os outros aspectos culturais de uma sociedade, ele depende da mesma para mudar, essa mudança não é algo imediato, e uniforme, veja só o exemplo dos negros, até hoje ainda existem lugares onde o preconceito contra os negros se faz presente, mas ele está sendo instinto, isso se deu muito pela luta deles para que isso acontecesse, afinal para os “brancos” a situação era extremamente favorável, logo para que um determinado preconceito seja instinto é necessária a luta dos desfavorecidos pelo mesmo, luta essa que consiste na mudança de mentalidade daqueles que o cercam, e isso, como já dito, não acontece da noite pro dia, não é uma ação, é o conjunto delas.
O preconceito existe, e se faz necessário para o nosso crescimento, só cabe a você julgar quais conceitos lhe são aplicáveis, e quais aqueles que devem ser revistos, e impostos ao seu meio, talvez você não mude o mundo, mas a cada pessoa que você conseguir mostrá-lo já será uma a mais para a sua luta.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Das coisas mais simples...


Quantas vezes você não precisou conversar com amigos e se utilizou de meios cibernéticos para fazê-lo? Eu particularmente já perdi as contas de quantas vezes já fiz isso, é mais praticamente, e certamente mais econômico que ir até a casa da pessoa, mas às vezes eu me pego me perguntando até que ponto isso é tão vantajoso assim, é obvio que a internet é um elemento diminuidor de distancias, mas ao mesmo passo que ela diminui será que ela não aumenta distancias?
Quando se está na internet, a China pode estar a um clique de distancia, mas ao mesmo tempo em que ela diminui distancias geográficas, pode aumentar, até mesmo tornar intransponíveis, as distancias sentimentais... Como assim? Um exemplo simples e corriqueiro: Passamos o dia trabalhando, ou estudando, chegamos em casa cansados, esgotados física e sentimentalmente, ansiando por um pouco de paz e tranqüilidade, querendo jogar um pouco de conversa fora, quem sabe tomar uma cerveja e depois ir dormir relaxado e feliz... E o que você faz para atingir seus objetivos? Liga pra o namorado (a), ou um amigo, ou, o que é mais provável, entra na internet e conversa com o namorado (a), ou amigo, depois disso vai dormir descansado e talvez a até mesmo feliz... Alguns anos atrás, você chegaria do trabalho e talvez fosse para casa do vizinho conversar, tomar uma cerveja, dançar, e depois disso ir dormir.
Outro exemplo simples: É quando algum professor da faculdade passa um trabalho em grupo, e a primeira coisa que se pensa é dividir os tópicos do trabalho entre os membros do grupo, cada um fazer a sua parte e enviar por e-mail para os outros, o que é obviamente bem mais simples e prático, isso sem contar que economiza toda uma tarde que seria perdida pra fazer o trabalho na casa de alguém, no entanto ao mesmo tempo em que se “economiza” uma tarde, se perde toda uma tarde de lembranças de emoções e experiências únicas.
O que estou querendo dizer com esse texto não é que paremos de usar a internet e voltemos à era da pedra, até porque isso seria uma super hipocrisia vindo de alguém, como eu, que passa boa parte do dia em frente a um computador, apenas gostaria de relembrar o valor das coisas simples, que sem duvidas em muito momentos são muito mais prazerosas.
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